
Hamdan Ballal, o correalizador palestiniano do documentário vencedor do Óscar “No Other Land”, afirmou na quarta-feira que sofreu uma "agressão brutal" por parte de colonos israelitas pelo prémio que recebeu.
A polícia israelita libertou Ballal na terça-feira depois de detê-lo por "atirar pedras" durante um "violento confronto" entre israelitas e palestinianos em Susiya, no sul da Cisjordânia.
Ballal é um dos realizadores do documentário premiado com um Óscar no início de março e que conta a história do deslocamento forçado de palestinianos por tropas e colonos israelitas em Masafer Yatta - uma área que Israel declarou zona militar restrita na década de 1980. O filme está em cartaz no Cinema Ideal, em Lisboa, e disponível na plataforma Filmin.
"Pensei que estava a viver os meus últimos momentos devido à violência dos golpes (...) Acredito que foi porque ganhei o Óscar", declarou à agência France-Presse (AFP) em Susiya, perto de Masafer Yatta, ao sul da cidade de Hebron, onde foi rodado o filme.

Yuval Abraham, correalizador israelita do documentário, criticou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pelo seu silêncio sobre o incidente.
"Infelizmente, a Academia que nos deu um Óscar há três semanas recusou-se a apoiar publicamente Hamdan Ballal enquanto era espancado e torturado por soldados e colonos israelitas", denunciou na rede social X (antigo Twitter), notando o contraste com o apoio da Academia Europeia e de “inúmeros outros grupos de prémios e festivais”.
E acrescentou: "Vários membros americanos da Academia — principalmente no ramo de documentários — pressionaram por uma declaração, mas acabou por ser rejeitada no fim. Disseram-nos que, como outros palestinianos foram espancados no ataque dos colonos, isso poderia ser considerado que não estava relacionado com o filme, portanto não sentiram necessidade de responder".
"Hamdan foi claramente" agredido "por ter realizado 'No Other Land'" e também "por ser palestiniano", notou.
Ativistas do grupo antiocupação Center for Jewish Nonviolence declararam ter sido testemunhas na segunda-feira da violência em Susiya.
Segundo ONGs de defesa dos direitos humanos, os ataques de colonos israelitas na Cisjordânia aumentaram consideravelmente desde o início da guerra entre Israel e o movimento islamista Hamas na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
A Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, abriga cerca de três milhões de palestinianos, assim como quase 500 mil israelitas que vivem em colonatos considerados ilegais pelo direito internacional.
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